A Polícia Civil de Santa Catarina apura as circunstâncias da morte do cão comunitário conhecido como “Orelha”, ocorrida na região da Praia Brava, em Florianópolis. O animal, que vivia no local há cerca de dez anos sob os cuidados da comunidade, foi encontrado com ferimentos graves e submetido a eutanásia em decorrência da irreversibilidade de seu quadro clínico. Exames periciais confirmaram que o óbito foi causado por traumatismo craniano resultante de agressão com objeto contundente.
As investigações identificaram quatro adolescentes como principais suspeitos do ato. Dois dos jovens encontram-se atualmente em viagem ao exterior e devem prestar depoimento ao retornarem ao Brasil. Os envolvidos são filhos de empresários e famílias de alto poder aquisitivo da capital catarinense. Além da apuração sobre os maus-tratos, a Polícia Civil instaurou um segundo inquérito para investigar a conduta de familiares dos adolescentes.
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Três adultos — dois empresários e um advogado — foram indiciados sob a suspeita de coagirem uma testemunha do caso. Segundo o relatório policial, o vigilante de um condomínio que possuía registros de câmeras de monitoramento teria sido alvo de pressões para não colaborar com as investigações. O funcionário foi afastado de suas funções por razões de segurança pessoal. Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão nas residências dos envolvidos, as autoridades buscavam uma arma de fogo que teria sido utilizada nas ameaças, mas o objeto não foi localizado.
No âmbito jurídico, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina registrou a troca da magistrada responsável pelo processo. A juíza que inicialmente acompanharia o caso declarou-se impedida, o que levou à nomeação de um novo magistrado para conduzir as decisões judiciais. O Ministério Público de Santa Catarina acompanha o inquérito por meio da 10ª Promotoria de Justiça, visando a aplicação das medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente para os menores e as sanções penais correspondentes aos adultos indiciados por coação no curso do processo.
O Governador do Estado de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), se manifestou após dizer que as provas do caso são de embrulhar o estômago. “Confesso que custei a acreditar. Adolescentes, jovens de famílias estruturadas, agredindo um cão por pura maldade. Um animal dócil, que não oferecia risco algum, cuidado e amado por toda a comunidade. Orelha não era apenas um cachorro, ele fazia parte daquele lugar”, disse.
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“Não importa quem sejam, nem os sobrenomes que carregam. A lei será cumprida. Infelizmente, ainda muito branda, mas será cumprida. Lamento que o nosso estado esteja no centro de uma manchete tão triste, mas que essa dor se transforme em ação, mudança e proteção aos animais comunitários. O Orelha não será esquecido, e a justiça precisa ser feita”, ressaltou o governador.
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