Faltam menos de 60 dias para o início da Copa do Mundo de 2026. Menos de dois meses para que o futebol volte a ocupar o centro do cenário mundial e, no Brasil, reacenda algo que vai além do jogo: uma pergunta antiga: Que futebol queremos ver? E, talvez a mais importante, que Brasil queremos reconhecer em campo?
A contagem regressiva não marca apenas o tempo, ela mede também a distância entre o que fomos e o que estamos nos tornando. Durante décadas, o Brasil construiu para si e para o mundo a imagem de um futebol que encantava, improvisava, criava. O chamado “futebol-arte” não era apenas um estilo de jogo, mas uma narrativa sobre o país: inventivo, criativo, imprevisível.
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Mas o tempo passou e com ele, o futebol também mudou.
Hoje, o Brasil se encontra diante de um contexto mais desafiador. O jogo ficou mais tático, mais físico, a espontaneidade cedeu espaço à disciplina, a genialidade individual dividindo terreno com sistemas coletivos. E, nesse cenário, surge um incômodo silencioso: ainda nos reconhecemos na forma como jogamos?
Talvez o ponto não seja escolher entre passado e presente, mas entender que o futuro exige uma síntese. O Brasil que virá não precisa ser uma cópia nostálgica de 1970, nem uma reprodução fria dos modelos europeus. Pode e talvez precise ser outra coisa: um futebol que dialogue com sua história, mas que também compreenda seu tempo.
O torcedor também já não é o mesmo, tornou-se mais crítico, mais conectado, mais consciente das camadas que atravessam o esporte. O futebol, hoje, carrega debates sobre identidade, representatividade, e pertencimento para além da emoção, refletindo transformações sociais, que transcendem gerações.
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Nesse contexto, a Copa de 2026 não será apenas uma disputa por um título. Será uma oportunidade de redefinir sentidos. De perguntar, coletivamente, o que esperamos quando vestimos a camisa, quando assistimos a um jogo, quando acreditamos ou indagamos.
O Brasil que entrará em campo em 2026 ainda está sendo definido. Nos treinos, nas escolhas técnicas, nas narrativas da mídia, nas conversas cotidianas. Ele não nasce pronto no dia da estreia ele se forma agora, enquanto os dias passam e a expectativa cresce, pois para um país que transforma futebol em linguagem, é tempo de reabrir uma questão que perpassa gerações: não é apenas sobre vencer. É sobre como queremos jogar e, no fundo, sobre quem queremos ser.
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Débora Vasconcelos é estudante de Jornalismo, com interesse em comunicação, mídia e futebol como linguagem social. Torcedora do São Paulo Futebol Clube, o Tricolor Paulista, dedica-se à produção de conteúdo e à análise crítica das narrativas no cenário contemporâneo.

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