Mais do que uma goleada: o que a despedida da Seleção revela sobre pertencimento e confiança às vésperas da Copa

Mais do que uma goleada: o que a despedida da Seleção revela sobre pertencimento e confiança às vésperas da Copa

Postado em 31/05/2026

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A vitória da Seleção Brasileira por 6 a 2 sobre o Panamá, diante de mais de 70 mil torcedores no Maracanã, não autoriza previsões precipitadas sobre o desempenho do Brasil na próxima Copa do Mundo. O futebol contemporâneo já ensinou inúmeras vezes que amistosos não garantem títulos, assim como derrotas em preparação não determinam fracassos.

Mas reduzir o significado da partida ao placar seria ignorar um aspecto fundamental do futebol: seu papel simbólico na construção do imaginário social brasileiro.

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Ao longo da minha pesquisa sobre comunicação digital, reconhecimento e resistência no futebol, tornou-se evidente que o esporte ocupa um espaço singular na cultura nacional. Poucos fenômenos sociais ainda possuem a capacidade de produzir sentimentos coletivos de pertencimento em uma sociedade cada vez mais fragmentada por disputas políticas, bolhas digitais e identidades concorrentes.

Quando a Seleção Brasileira entra em campo, ela deixa de representar apenas um conjunto de atletas. Passa a funcionar como um símbolo compartilhado, capaz de mobilizar memórias, afetos e expectativas que atravessam gerações.

Foi justamente esse aspecto que parece ter emergido no Maracanã.

Mais do que os seis gols marcados, chamou atenção a construção coletiva da equipe. Os gols vieram de diferentes jogadores, o protagonismo foi distribuído e a equipe demonstrou capacidade de criação sem depender exclusivamente de uma única liderança técnica ou midiática.

Esse talvez seja o principal saldo positivo da partida.

Em tempos nos quais a cultura digital frequentemente estimula a personalização extrema e a busca por heróis individuais, o futebol continua lembrando uma verdade simples: conquistas coletivas dependem de articulação, cooperação e confiança mútua.

A partida também sugere uma mudança de atmosfera em torno da Seleção. Nos últimos anos, parte da relação entre equipe e torcida foi marcada por desconfiança, polarizações externas ao futebol e uma sensação recorrente de distanciamento entre o time e o público.

O que se viu no Maracanã foi diferente.

Houve entusiasmo. Houve identificação. Houve celebração.

Não se trata de afirmar que a confiança foi plenamente restaurada. O caminho até a Copa ainda exigirá ajustes técnicos, testes táticos e enfrentamentos muito mais complexos do que o realizado diante do Panamá. A realidade competitiva do torneio será muito mais exigente.

Mas confiança coletiva não nasce apenas dos resultados. Ela surge quando um grupo consegue produzir sinais de reconhecimento entre si.

Foi isso que a despedida da Seleção em solo brasileiro parece ter oferecido.

Em 1970, analistas internacionais questionavam a capacidade do futebol brasileiro de competir com as transformações táticas que ocorriam na Europa. A história mostrou que talento, identidade e organização não eram fatores excludentes.

Naturalmente, 2026 não é 1970. Os contextos são distintos e o futebol mudou profundamente.

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Ainda assim, permanece válida uma lição daquele período: antes de conquistar grandes resultados, é preciso reconstruir algo mais básico e igualmente importante.

A crença de que eles são possíveis.

O Brasil ainda não ganhou nada.

Mas talvez tenha recuperado algo que toda equipe competitiva precisa levar para uma Copa do Mundo: a confiança de sua torcida e a sensação de que existe um projeto coletivo capaz de representar o país dentro de campo.

Foto CRÉDITOS: NELSON TERME/ CBF

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Postado em 31/05/2026

Categorias: Copa do Mundo

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