Polícia Federal indicia 16 pessoas por queda de avião da Voepass em Vinhedo

Polícia Federal indicia 16 pessoas por queda de avião da Voepass em Vinhedo

Postado em 07/08/2026 , por Patrícia di Sanctis

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A Polícia Federal (PF) indiciou 16 pessoas por envolvimento na queda do avião da Voepass Linhas Aéreas, que deixou 62 mortos em Vinhedo (SP). A conclusão do inquérito foi divulgada nesta quinta-feira (6) e aponta que a aeronave não tinha condições técnicas de voar, mas, mesmo assim, a empresa autorizou a decolagem.

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Entre os indiciados está o presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, além de diretores, gerentes, responsáveis pela manutenção e pilotos da companhia. Segundo a investigação, havia uma cultura interna de omissão de falhas para evitar que as aeronaves fossem retiradas de operação.

O acidente ocorreu em agosto de 2024, quando o avião modelo ATR 72-500 caiu em Vinhedo, matando todas as 62 pessoas a bordo, sem sobreviventes.

De acordo com a Polícia Federal (PF), a Justiça Federal determinou que os investigados não poderão deixar o Brasil ou, caso estejam no exterior, deverão retornar ao país enquanto o Ministério Público Federal (MPF) analisa o inquérito e decide se apresentará denúncia à Justiça.

 

Presidente da empresa e outros 15 são investigados

 

Segundo a investigação, 15 pessoas foram indiciadas pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo, previsto no artigo 261 do Código Penal. Outro investigado, comandante do voo realizado durante a madrugada com a mesma aeronave, responderá por falsidade ideológica.

Entre os indiciados pelo crime contra a segurança do transporte aéreo estão:

 

  • José Luiz Felício Filho, presidente da Voepass;
  • o comandante do voo imediatamente anterior ao acidente;
  • o mecânico responsável pela aeronave;
  • o chefe do Centro de Controle de Manutenção (MCC);
  • o inspetor técnico responsável pela manutenção perante a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac);
  • o diretor de manutenção;
  • o gerente e o diretor do Centro de Controle Operacional (CCO);
  • o diretor de operações;
  • o chefe dos pilotos;
  • o diretor de segurança operacional (Safety).

 

A pena para o crime varia de quatro a 12 anos de prisão, podendo chegar a oito a 24 anos quando há resultado morte.

 

Investigação aponta que avião não deveria ter decolado

 

A Polícia Federal concluiu que o avião não possuía condições técnicas para operar nas condições meteorológicas enfrentadas durante o voo.

Segundo o inquérito, equipamentos fundamentais para voar sob formação severa de gelo estavam inoperantes, entre eles o sistema de degelo e o limpador do para-brisa. Apesar disso, a empresa autorizou a decolagem.

Durante o voo, o sistema de segurança da aeronave emitiu alertas sucessivos indicando perda das condições seguras de operação. Ainda assim, conforme a investigação, os pilotos não adotaram medidas para evitar o acidente.

 

Falhas eram omitidas para manter aeronave em operação

 

A investigação revelou que a aeronave já havia apresentado problemas semelhantes em voos anteriores.

Segundo a PF, os pilotos eram orientados pela companhia a não registrar as falhas nos relatórios pós-voo para impedir que o avião fosse retirado de serviço.

O delegado-chefe da Polícia Federal em Campinas, André Ribeiro, afirmou que a investigação identificou uma prática institucionalizada dentro da empresa. “Nossa equipe analisou dezenas de processos de fiscalização da Anac e se pôde perceber que havia ali uma cultura realmente de omissão e que não era uma cultura de quem estava ali na ponta no dia a dia do mecânico da pista, não, era uma cultura de uma omissão implementada na empresa.”

Em outro trecho, o delegado afirmou que “a investigação comprova que havia, por parte da chefia dos pilotos, e da direção de operações, orientação para não reportar as falhas, porque as falhas poderiam parar a aeronave, impedindo um voo subsequente.”

 

PF pede compartilhamento da investigação

 

A Polícia Federal solicitou à Justiça Federal autorização para compartilhar todas as informações da investigação com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

O objetivo é permitir que a agência apure, na esfera administrativa, se houve falhas de fiscalização relacionadas à companhia aérea.

O mesmo pedido foi encaminhado à Procuradoria da República no Distrito Federal, onde fica a sede da Anac.

 

Familiares classificam atuação da empresa como criminosa

 

Familiares das vítimas acompanharam a divulgação do resultado da investigação na sede da Polícia Federal, em São Paulo.

A Associação de Familiares das Vítimas afirmou que a forma de atuação da companhia foi criminosa.

Fátima Albuquerque, representante da entidade, declarou que “aquelas ações eram criminosas, eles eram profissionais, eles sabiam o que estavam fazendo. Eram profissionais preparados, sabotando uma fiscalização, fazendo gambiarra numa aeronave que poderia matar, então eles sabiam, todos sabiam que aquela aeronave uma hora ia cair. Correram o risco, não se importavam.”

Segundo os advogados da associação, os familiares deverão ingressar com uma ação coletiva por danos morais contra a Voepass Linhas Aéreas.

 

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Com informações da Agência Brasil | Foto: SSP
Queda de avião em Vinhedo leva PF a indiciar 16 ligados à Voepass

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