O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), reintegrou Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (9). A decisão também determinou o retorno de Leandro Almada à direção de Inteligência Policial da corporação.
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A reintegração ocorreu um dia após o ministro André Mendonça, do STF, determinar o afastamento dos dois dirigentes. Mendonça apontou suspeitas de monitoramento ilegal realizado pela inteligência da Polícia Federal.
Mendonça afastou diretor-geral da PF
André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e de Leandro Almada, diretor de Inteligência Policial.
A decisão ocorreu no contexto das investigações relacionadas aos casos Banco Master e fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo Mendonça, a inteligência da PF teria produzido ao menos seis relatórios sobre sua atuação entre 3 e 31 de agosto.
Os documentos reuniriam informações sobre decisões judiciais, reuniões e movimentações relacionadas à atuação do ministro.
Mendonça afirmou ter sido alvo de monitoramento sistemático e ilegal por parte da inteligência policial.
O ministro também classificou um dos documentos como “apócrifo”.
O relatório apresentava ressalvas sobre a confiabilidade das informações e indicava que os dados não tinham valor probatório.
Mendonça determinou ainda que a Corregedoria da Polícia Federal investigasse os responsáveis pela elaboração dos documentos.
Relatórios envolveram ministros do STF
A crise envolvendo a PF ganhou força após a divulgação de informações relacionadas ao Banco Master. Mendonça retirou o sigilo de um relatório de 218 páginas produzido pela PF durante a investigação.
O documento continha informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O material também apresentou mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e informações sobre sua relação com Vorcaro.
Após a divulgação, Alexandre de Moraes pediu a investigação de Mendonça por possíveis irregularidades na condução dos casos.
A disputa entre os ministros passou a envolver diretamente a atuação da Polícia Federal.
Pedido do Partido Novo
O afastamento de Andrei Rodrigues ocorreu após um pedido apresentado pelo Partido Novo no contexto do caso Banco Master.
A legenda também pediu a prisão preventiva do diretor-geral da PF.
André Mendonça, porém, não acolheu o pedido de prisão.
O ministro determinou somente o afastamento de Andrei Rodrigues e Leandro Almada.
PF reagiu ao afastamento
A decisão provocou reação entre integrantes da cúpula da Polícia Federal.
Onze diretores da PF colocaram os cargos à disposição após o afastamento de Andrei Rodrigues e Leandro Almada.
Os dirigentes manifestaram apoio aos dois policiais e defenderam a autonomia institucional da corporação.
Durante o afastamento, William Marcel Murad, então diretor-executivo da PF, assumiu interinamente a direção-geral.
Governo Lula recorreu
A Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu contra a decisão de André Mendonça.
O órgão argumentou que a nomeação e a exoneração do diretor-geral da PF são atribuições do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Andrei Rodrigues foi nomeado para o cargo por Lula em 2023.
A AGU também alegou que o afastamento poderia comprometer o funcionamento da Polícia Federal e investigações em andamento.
O presidente Lula reuniu integrantes do governo após a decisão de Mendonça.
STF formou maioria pelo afastamento
A decisão de Mendonça foi analisada pela Segunda Turma do STF. Os ministros Luiz Fux e Nunes Marques acompanharam Mendonça pela manutenção do afastamento.
Com três votos, a Segunda Turma formou maioria para manter a decisão.
O julgamento foi interrompido após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
O ministro Dias Toffoli ainda não havia votado naquele momento.
Dino determinou reintegração
A principal mudança ocorreu nesta quarta-feira (9), quando Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Rodrigues.
A decisão também determinou o retorno de Leandro Almada à direção de Inteligência Policial.
Dino considerou que o afastamento poderia prejudicar investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Entre os procedimentos citados está uma investigação sobre possíveis irregularidades envolvendo emendas parlamentares destinadas à produção do filme “Dark Horse”.
A decisão de Dino ainda deverá ser submetida posteriormente ao plenário do Supremo Tribunal Federal.
Crise envolve STF, PF e Banco Master
A disputa entre André Mendonça, Alexandre de Moraes e integrantes da Polícia Federal envolve diferentes investigações e decisões judiciais.
O caso também levanta discussões sobre os limites da atividade de inteligência policial.
Outro ponto envolve a competência do Executivo para nomear o diretor-geral da Polícia Federal.
A atuação de ministros do STF sobre o comando da corporação também passou a integrar o debate.
O episódio ocorre durante o período eleitoral de 2026 e provocou manifestações de integrantes do cenário político nacional.
Até esta quarta-feira (9), Andrei Rodrigues permanece no comando da Polícia Federal por determinação de Flávio Dino.
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Foto: Agência Brasil
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