Casos de assédio eleitoral envolvem empresas de Americana e Santa Bárbara

Casos de assédio eleitoral envolvem empresas de Americana e Santa Bárbara

Ministério do Trabalho orienta trabalhadores sobre seus direitos e como denunciar pressões políticas no trabalho

Postado em 30/10/2026 , por Patrícia di Sanctis

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Denúncias de assédio eleitoral envolvendo empresas com atuação em Americana e Santa Bárbara d’Oeste (SP) colocaram a região no debate sobre pressão política no ambiente de trabalho. Os casos vieram à tona em outubro, enquanto órgãos nacionais registram aumento nas denúncias e investigam manifestações que incentivam boicotes e demissões por posicionamento político.

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Na quinta-feira (29), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) anunciou uma campanha nacional para orientar trabalhadores sobre como identificar e denunciar esse tipo de prática. A iniciativa prevê o envio de notificações pela Carteira de Trabalho Digital, com informações sobre os direitos dos profissionais e os canais disponíveis para registrar ocorrências.

A campanha reforça que nenhum trabalhador pode ser ameaçado, constrangido, perseguido ou demitido por causa de sua escolha política. A liberdade de opinião e de voto deve ser respeitada também no ambiente profissional, sem interferência de empregadores.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, destacou a importância de garantir esse direito e incentivar a denúncia de irregularidades.

“O assédio eleitoral é uma prática inaceitável. Todo trabalhador e toda trabalhadora têm o direito de fazer suas escolhas políticas livremente, sem sofrer ameaças, constrangimentos ou retaliações no ambiente de trabalho. É fundamental que as pessoas conheçam seus direitos e denunciem situações desse tipo para que os órgãos competentes possam tomar as providências necessárias”.

 

Denúncias envolvem empresas de Americana e Santa Bárbara

 

Na região, um dos casos foi registrado pelo Sindicato dos Químicos de Americana e Região, que recebeu relatos de trabalhadores da Paramount, empresa localizada em Santa Bárbara d’Oeste.

Segundo o sindicato, a denúncia envolve a decoração de dependências da empresa com referências políticas e a realização de uma reunião com funcionários para apresentar um posicionamento político. A entidade encaminhou o caso ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e solicitou a apuração dos fatos.

O presidente do sindicato, Gildo Alves da Silva, informou que a entidade recebeu as manifestações dos trabalhadores e levou a situação ao órgão responsável. Até a divulgação das informações, não havia detalhes sobre a conclusão de uma investigação ou eventual responsabilização da empresa.

Outro episódio envolve um comércio com unidades em Santa Bárbara d’Oeste, Americana e Nova Odessa. O estabelecimento foi denunciado ao MPT após a divulgação de um vídeo em que uma empresária, filha do fundador do Açougue Cyro Rosa, comenta estratégias para identificar funcionários que teriam votado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No vídeo, a empresária afirma que comerciantes não poderiam abordar diretamente esses trabalhadores, mas acrescenta que estariam adotando outras medidas.

“Além de tudo, você não pode chegar pra esse funcionário e falar nada, porque eles são protegidos, mas a gente já tem as nossas estratégias. Agora a gente está de olho”.

A denúncia foi encaminhada por militantes do Partido dos Trabalhadores (PT), após relatos de possíveis ameaças a funcionários em razão de suas escolhas eleitorais. A empresária, por sua vez, negou que as expressões utilizadas no vídeo, como “corja petista” e “vagabundos”, fossem direcionadas aos empregados. Segundo ela, as declarações representavam desabafos e relatos gerais.

Os episódios foram encaminhados para apuração. A existência de denúncias, por si só, não significa que as irregularidades tenham sido comprovadas.

 

MPT registra aumento nas denúncias

 

O número de denúncias de assédio eleitoral cresceu em diferentes regiões do país após o segundo turno das eleições. Dados nacionais divulgados pelo Ministério Público do Trabalho apontam 3.396 denúncias em 2026, considerando os registros contabilizados até 29 de outubro.

Desse total, 1.459 denúncias foram recebidas nos três dias posteriores ao segundo turno, a partir de segunda-feira (26). Até a manhã de segunda-feira, o órgão contabilizava 1.937 registros, o que representa um aumento expressivo no período.

São Paulo lidera o levantamento nacional, com 620 denúncias, seguido por Minas Gerais, com 351, e Paraná, com 338. Também aparecem Rio de Janeiro, com 252 registros, Rio Grande do Sul, com 223, e Santa Catarina, com 165.

Na área de abrangência da Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região, responsável por 599 municípios do interior paulista, foram contabilizadas 297 denúncias em 2026 até a atualização divulgada na quinta-feira (29).

Desse total, 148 registros foram feitos depois do resultado das eleições, entre o fim de domingo (25) e a manhã de quinta-feira (29). O volume corresponde a quase metade das denúncias recebidas pela regional durante todo o ano.

A procuradora do Trabalho e coordenadora regional da Coordenadoria Nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade), Marina Tramonte, ressaltou que a autoridade do empregador não se estende às escolhas políticas dos funcionários.

“A autoridade do empregador restringe-se aos limites da atividade econômica. A consciência e a escolha eleitoral do funcionário continuam soberanas. Rescindir contratos de trabalho com base em preferências ideológicas é uma prática ilegal que será combatida pelo MPT”.

 

Listas de boicote chegam à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal

 

Além das denúncias relacionadas ao ambiente de trabalho, listas que identificam comerciantes, profissionais e trabalhadores por suas preferências políticas passaram a circular nas redes sociais após o segundo turno.

As publicações incentivam consumidores a deixar de comprar em estabelecimentos associados a apoiadores de Lula e também apresentam mensagens que defendem a demissão ou a recusa de contratação de pessoas identificadas com o Partido dos Trabalhadores.

A repercussão levou parlamentares do PT a encaminhar uma representação à Procuradoria-Geral da República (PGR), à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público do Trabalho, solicitando a investigação da origem e da possível articulação das listas.

O documento aponta a circulação de materiais semelhantes em pelo menos oito estados e pede que sejam analisados textos, imagens e metadados para verificar se existe uma origem comum, além de eventual financiamento ou coordenação das publicações.

A representação também menciona manifestações nas redes sociais que incentivam empresários a identificar e dispensar funcionários por suas escolhas políticas. A solicitação busca apurar os fatos e não representa, por si só, a comprovação de responsabilidade de pessoas ou grupos específicos.

 

Como denunciar assédio eleitoral

 

O trabalhador que sofrer pressão, ameaça ou constrangimento por causa de sua escolha política pode registrar denúncia pelo canal oficial do Ministério do Trabalho e Emprego, disponível em assedioeleitoral.trabalho.gov.br.

Entre as situações que podem caracterizar assédio eleitoral estão ameaças de demissão, promessas de benefícios em troca de apoio político, pressão para votar em determinado candidato, perseguição e discriminação por posicionamento ideológico.

Para facilitar a apuração, o trabalhador deve reunir o máximo possível de informações sobre o ocorrido, como data, local, identificação do empregador, descrição dos fatos e provas disponíveis. Mensagens, gravações, vídeos e outros registros podem ajudar os órgãos responsáveis a investigar a denúncia.

A escolha política é um direito individual e não pode ser utilizada como critério para ameaçar, constranger ou prejudicar alguém no exercício de sua atividade profissional.

 

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Com informações e foto da Agência Brasil
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