No Brasil, começar pelo camisa 10 é inevitavelmente lembrar do futebol arte de Pelé.
Porque foi ele quem transformou aquele número em patrimônio sentimental do futebol brasileiro e até mundial. Depois do Rei, o 10 deixou de ser apenas posição. Virou promessa de genialidade.
Vieram Zico, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Neymar. Todos diferentes entre si, mas unidos por uma responsabilidade silenciosa: fazer o torcedor acreditar que o impossível pode acontecer.
Hoje, a Seleção ainda procura esse jogador.
Não necessariamente alguém mais talentoso do que os atuais atletas brasileiros. O problema não é técnico. É simbólico e até cultural.
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Infelizmente, prestes a começar a Copa, ainda falta aquele jogador que domina emocionalmente o jogo. O camisa 10 brasileiro nunca foi apenas articulador de jogadas. Sempre foi dono da atmosfera da partida.
Depois vem o camisa 9.
E aqui a história pesa toneladas, mesmo mencionando um único jogador.
Ronaldo fenômeno.
O centroavante brasileiro sempre carregou algo intimidador. Ronaldo parecia desafiar qualquer lógica física. Era atacante que entrava em campo já ocupando o psicológico do adversário.
Hoje, o Brasil possui atacantes versáteis. Mas ainda não encontrou aquele homem capaz de transformar uma bola improvável em sentença.
E então chegamos ao camisa 11.
Talvez o número mais poético da história da Seleção.
Garrincha eternizou a camisa como território da irreverência. Romário fez da canhota um espetáculo permanente e sinônimo de gol. O camisa 11 brasileiro sempre foi o jogador do drible curto e inesperado, da jogada fulminante, do futebol que desmonta defesas e arranca o torcedor da cadeira.
Hoje, a Seleção tem velocidade pelos lados. Mas o futebol brasileiro nunca viveu apenas de velocidade e craques que jogam bem somente nos times.
O Brasil que ganhou Copa sempre proporcionou encantamento. É do brasileiro.
Carlo Ancelotti pode dar equilíbrio, organização e competitividade europeia. E talvez consiga. Mas as grandes seleções brasileiras nunca foram lembradas apenas porque venciam. Foram lembradas porque tinham alma.
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A de 70 teve Pelé.
A de 82 teve Zico.
A de 94 teve Romário.
A de 2002 teve Ronaldo.
Toda geração vitoriosa encontrou seus rostos.
A atual ainda procura os seus.
Procura um camisa 10 que assuma o destino do time.
Um camisa 9 que transforme meio lance em gol.
E um camisa 11 que devolva ao futebol brasileiro aquilo que sempre o tornou único: a capacidade de encantar o mundo com bola na rede.
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