Principal alvo da PF em Americana, ‘Ralado’ escapa de operação e segue foragido

Principal alvo da PF em Americana, ‘Ralado’ escapa de operação e segue foragido

Postado em 27/03/2026 , por Patrícia di Sanctis

Anúncio

O empresário Thiago Branco de Azevedo, conhecido como “Ralado”, segue foragido nesta sexta-feira (27) após ser apontado como principal alvo da Operação Fallax, que investiga fraudes bancárias que podem chegar a R$ 500 milhões contra a Caixa Econômica Federal e outras instituições.

RECEBA AS NOTÍCIAS DO ENTRENEWS NO SEU WHATSAPP

A Polícia Federal (PF) tentou prendê-lo na quarta-feira (25), mas ele não foi localizado em sua residência, em um condomínio de Americana (SP). Segundo as investigações, Ralado atuava como líder do esquema, responsável por coordenar todas as frentes da organização criminosa.

De acordo com a PF, o suspeito articulava a captação de “laranjas”, criação de empresas de fachada, contato com gerentes bancários e orientação na produção de documentos falsos utilizados para obtenção de crédito.

 

Operação da PF em Americana contra fraudes bancárias buscava Thiago Ralado

 

Alvos da região e foragidos

 

A investigação da Operação Fallax detalha a atuação de investigados de Americana e Santa Bárbara d’Oeste (SP), com funções estratégicas no esquema de fraudes bancárias. Parte dos suspeitos segue foragida.

 

  • Thiago Branco de Azevedo, o “Ralado”, de Americana – apontado como líder e principal articulador do esquema, responsável pela criação de empresas de fachada, cooptação de “laranjas”, falsificação documental, negociação com gerentes bancários e definição de estratégias para obtenção de crédito. Segue foragido.

 

  • Glaucia Juliana Iglesias de Azevedo, de Americana – segundo a investigação, exercia papel central na articulação financeira, com controle de contas de “laranjas”, gestão de cheques e movimentação de valores, incluindo pagamento de comissões. É esposa do líder. Segue foragida.

 

  • Luiz Guilherme da Silva, de Americana – apontado como operador financeiro, responsável por gerenciar contas de “laranjas” e empresas de fachada, além de emissão de boletos e pagamentos.

 

  • Pedro Guilherme Gosmim, de Americana – atuava como operador financeiro, com gestão de contas, controle de máquinas de cartão e repasses. Mantinha comunicação direta com “Ralado”.

 

  • Rivaldo José de Oliveira Zumbaio, de Americana – responsável pela criação de identidades falsas e constituição de empresas fantasmas, sendo considerado “insubstituível” pela investigação.

 

  • Julio Ricardo Iglesias, de Santa Bárbara d’Oeste – exercia funções de operador financeiro e logístico, com administração de empresas de fachada e participação em transações suspeitas. Segue foragido.

 

Além deles, também seguem foragidos Igor, Carlos e Ariovaldo, segundo a Polícia Federal.

 

Principal alvo da PF em Americana, ‘Ralado’ escapa de operação e segue foragido (2)
Ralado residia condomínio Terras do Imperador, mas escapou da ação policial

 

Estrutura organizada e atuação milionária

 

A investigação aponta que o grupo operava com uma estrutura dividida em quatro núcleos: bancário, contábil, financeiro e de cooptação.

O núcleo bancário contava com gerentes de instituições financeiras, responsáveis por facilitar abertura de contas e concessão de crédito. Já o contábil produzia documentos como declarações fiscais e comprovantes.

O setor financeiro gerenciava contas em nome de “laranjas” e realizava transferências, enquanto o núcleo de cooptação aliciava pessoas para figurarem como sócias de empresas fictícias.

Segundo a PF, essa estrutura permitiu a criação em larga escala de empresas de fachada, com o objetivo de obter empréstimos fraudulentos. As movimentações identificadas chegam a pelo menos R$ 47 milhões, mas o prejuízo pode alcançar valores muito maiores.

 

Falsificação e uso de “laranjas”

 

As investigações revelaram o uso de familiares como “laranjas”. Um dos suspeitos teria utilizado a própria mãe para movimentar cerca de R$ 1 milhão. Em outro caso, uma mulher abriu empresas em nome da filha.

A PF também identificou uma estrutura considerada “industrial” de falsificação de documentos, com equipamentos para reprodução de assinaturas e adulteração de comprovantes e declarações de imposto de renda.

O responsável por essa frente seria um dos investigados presos na operação.

 

Bens apreendidos e ligação criminosa

 

Durante a operação, os agentes apreenderam 67 celulares, 31 notebooks, dinheiro, cheques, joias, relógios e uma arma de fogo, além de 385 itens diversos e documentos.

A Justiça Federal determinou o bloqueio de bens, veículos e ativos financeiros dos investigados até o limite de R$ 47 milhões, com objetivo de descapitalizar o grupo.

A PF também apontou indícios de que parte dos valores movimentados teria origem em células ligadas ao Comando Vermelho, além do uso de criptoativos para ocultação de recursos.

 

Grupo Fictor no centro da investigação

 

A operação também teve como alvo o Grupo Fictor, apontado como núcleo de sustentação financeira do esquema. Segundo a PF, a empresa atuava na simulação de movimentações financeiras entre empresas ligadas ao grupo.

O modelo incluía pagamento cruzado de boletos, geração artificial de faturamento e criação de histórico bancário fictício para obtenção de crédito.

O CEO do grupo, Rafael Ribeiro Leite Góis, teve o celular apreendido. A defesa informou que prestará esclarecimentos após acesso ao conteúdo da investigação.

 

O que diz a Caixa

 

Em nota, a Caixa Econômica Federal afirmou colaborar com as investigações:

 

A Caixa informa que atua permanentemente em cooperação com os órgãos de segurança pública e de controle, especialmente a Polícia Federal, no combate a fraudes bancárias, estelionatos e crimes de lavagem de dinheiro. A operação deflagrada é resultado direto de investigações conduzidas pelas autoridades competentes, com as quais a empresa colabora integralmente, reiterando seu respeito às instituições e destacando a lisura, a boa-fé e a conformidade da atuação de seus dirigentes.

A Caixa reitera que possui políticas rigorosas de prevenção e combate a fraudes, lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo, alinhadas às melhores práticas de mercado, à legislação vigente e às normas dos órgãos reguladores. Sempre que identificadas movimentações atípicas ou evidências de irregularidades, os casos são imediatamente reportados aos órgãos competentes, colaborando de forma ativa com as investigações.

A Caixa reafirma seu compromisso com a integridade, a transparência e a proteção do patrimônio público, bem como com a pronta adoção de todas as medidas administrativas e judiciais cabíveis para responsabilização dos envolvidos e ressarcimento de eventuais prejuízos, quando aplicável.

Por envolver investigação em curso, a Caixa respeita o sigilo legal do processo e reforça que eventuais esclarecimentos adicionais devem ser solicitados às autoridades responsáveis pela operação.

 

PF mira Americana e Santa Bárbara em ação contra fraudes milionárias à Caixa Econômica

 

LEIA + NOTÍCIAS AQUI

Foto: Divulgação | PM

Principal alvo da PF em Americana, ‘Ralado’ escapa de operação e segue foragido

Compartilhe na redes sociais!

Anúncio