A Copa do Mundo de 2026 escancara uma cena impensável para quem se acostumou a chamar o Brasil de país do futebol: nenhuma seleção será comandada por um técnico brasileiro. O dado, ainda que precise ser confirmado na lista final das comissões técnicas. Enquanto a Seleção Brasileira será dirigida pelo italiano Carlo Ancelotti, conforme registra a própria FIFA, o banco de reservas mundial parece ter fechado as portas para a antiga escola brasileira.
Não se trata apenas de uma ausência. É um cartão amarelo para o futebol nacional.
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Durante décadas, o Brasil exportou craques, encantou arquibancadas e vendeu ao mundo uma ideia própria de jogo: criatividade, improviso, ginga e leitura intuitiva da bola. Mas, no futebol contemporâneo, só talento não ganha campeonato.
Hoje, o jogo exige análise de desempenho, gestão de grupo, repertório tático, domínio de dados, comunicação e capacidade de adaptação cultural.
É nesse gramado que muitos treinadores brasileiros parecem ter perdido espaço.
Dentro de casa, o problema, parece, começa no apito curto dos dirigentes. Técnico no Brasil vive com a mala pronta. Duas derrotas bastam para transformar projeto em crise. Sem tempo, sem estabilidade e sem planejamento, o treinador vira refém do placar de domingo. Não constrói trabalho. Apenas sobrevive à rodada seguinte.
A questão também passa pela formação. O futebol mudou de patamar, mas parte da estrutura brasileira ainda joga como se estivesse nos anos 1990.
Cursos, intercâmbios, atualização científica e integração com áreas como psicologia, tecnologia e análise de dados deixaram de ser luxo. Viraram pré-requisito.
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Por isso, a ausência de técnicos brasileiros na Copa de 2026 não é acidente de tabela. É sintoma. Mostra um país que ainda produz jogadores de elite, mas já não exporta, com a mesma força, ideias de jogo, métodos de trabalho e lideranças técnicas.
O Brasil continua formando pés brilhantes. A pergunta incômoda é outra: por que deixou de formar cabeças capazes de comandar o futebol mundial?
Escrito por Edwaldo Costa
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