Cabo Verde e a derrota que virou lenda

Cabo Verde e a derrota que virou lenda

Postado em 06/07/2026

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Nem toda derrota merece ser celebrada. Algumas apenas confirmam a distância entre times de prateleiras distintas. Outras deixam a impressão de que faltou pouco, mas não produzem consequência. A de Cabo Verde para a Argentina, por 3 a 2, na prorrogação, foi diferente. Eliminou a seleção africana, mas a colocou definitivamente no mapa da Copa.

Em Miami, a Argentina encontrou muito mais do que esperava. Encontrou um adversário organizado, valente e disposto a jogar. Encontrou um goleiro inspirado, Vozinha, que segurou o ímpeto argentino em momentos decisivos. E, principalmente, encontrou uma equipe que não se resignou diante de Messi, da camisa pesada e do favoritismo de uma tricampeã mundial.

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Messi abriu o placar. Cabo Verde reagiu com Deroy Duarte. A Argentina voltou à frente, mas a seleção africana buscou novo empate com Sidny Lopes Cabral, em um golaço que levou o jogo para a prorrogação. A classificação argentina só veio no detalhe, já no segundo tempo do tempo extra, em gol contra de Diney Borges.

O placar registra a vitória da Argentina. O jogo contou outra história.

Cabo Verde não foi a Miami para resistir até onde desse. Não montou uma trincheira, não viveu de chutões nem se limitou a esperar o apito final. Teve coragem para sair jogando, ocupou espaços, competiu em cada dividida e respondeu quando o jogo parecia escapar. Para uma seleção em sua primeira Copa do Mundo, a atuação teve peso de afirmação.

A frase do volante Yannick Semedo, depois da eliminação, traduz bem o ambiente: “Estamos felizes por sairmos de cabeça erguida”. Não é a declaração automática de quem tenta disfarçar a frustração. É a leitura de quem sabe que fez mais do que participar. Cabo Verde enfrentou uma das seleções mais fortes do mundo e a obrigou a disputar cada minuto como se valesse uma final.

Esse é o ponto central. A seleção africana não precisa transformar a eliminação em troféu. Perdeu, e perder dói. Mas há maneiras de sair de uma Copa. Cabo Verde saiu sem vaga nas oitavas, mas com respeito, identidade e uma história que não termina na súmula.

Até pouco tempo atrás, sua presença em um Mundial seria tratada como curiosidade. Depois da campanha, já não cabe esse olhar. Cabo Verde deixou de ser apenas uma estreante. Mostrou que pode competir, que tem jogadores capazes de decidir partidas e que não aceita mais entrar em campo como figurante.

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Há derrotas que encerram jornadas. A de Cabo Verde, diante da Argentina, abriu uma nova página para o futebol do país.

Por Edwaldo Costa, pós-doutor ECA/USP e pesquisador da UnB/CEAM/NECLA

Foto Reprodução FIFA

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Postado em 06/07/2026

Categorias: Copa do Mundo

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