O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o pastor Guilherme Batista, da Igreja Batista da Lagoinha, utilizaram um jato executivo de propriedade do empresário Ricardo Vorcaro durante o segundo turno das eleições de 2022. A aeronave, um modelo Phenom 300, transportou a comitiva por nove estados brasileiros e pelo Distrito Federal ao longo de dez dias consecutivos. O objetivo da série de viagens foi a realização de uma caravana de mobilização do eleitorado jovem e cristão em favor da campanha de reeleição do então presidente Jair Bolsonaro.
A utilização do transporte privado tornou-se objeto de apuração jornalística e política devido à ausência de registros detalhados sobre o custeio do serviço nas prestações de contas eleitorais. De acordo com informações publicadas por veículos como O Globo e Metrópoles, o jato pertence a uma empresa vinculada à família de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A investigação sobre o uso do prefixo da aeronave aponta que o deslocamento ocorreu em um período de intensa agenda religiosa e política, misturando cultos e atos de campanha.
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Questionada sobre a natureza do serviço prestado, se por meio de aluguel ou doação estimável em dinheiro, a empresa responsável pela gestão da aeronave afirmou que não poderia fornecer dados sobre os contratantes ou pagadores, amparando-se na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A falta de transparência sobre quem arcou com os custos operacionais do jato, que envolvem combustível, taxas aeroportuárias e tripulação, motivou parlamentares de oposição a protocolarem representações na Procuradoria-Geral da República (PGR).
Em manifestações recentes sobre o caso, o deputado Nikolas Ferreira confirmou a realização das viagens e a presença do pastor Guilherme Batista na comitiva, mas alegou que a organização logística das agendas não era de sua responsabilidade direta. O parlamentar afirmou que não tinha conhecimento da propriedade da aeronave na época dos fatos e defendeu a legalidade de suas ações, classificando os questionamentos como tentativas de desgaste político.
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O caso segue sob análise de órgãos de controle, que buscam identificar se houve omissão de gastos eleitorais ou se a cessão do jato configurou uma doação empresarial indireta, prática vedada pela legislação eleitoral vigente. Até o momento, não há decisões judiciais definitivas que alterem o status do mandato do parlamentar ou que responsabilizem os envolvidos por irregularidades no uso do transporte aéreo em 2022.
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