Uma recente publicação do Secretário Nacional de Mobilidade Urbana, Denis Andia, no Instagram, chamou a atenção do meio político regional nesta semana. Após as fortes chuvas que atingiram Americana na última quarta-feira (28), Andia fez uma fala colocando seu trabalho em Brasília “à disposição para novos recursos que possam colaborar com os trabalhos de recuperação”.
No entanto, o tom de prontidão do secretário — que ocupa cargo estratégico no bilionário Ministério das Cidades e é pré-candidato a Deputado Federal — não condiz com os dados oficiais sobre o envio de verbas para obras de drenagem da cidade.
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Apesar da influência de Andia no alto escalão do governo petista, Americana tem encontrado dificuldades para conseguir recursos cruciais. Segundo a prefeitura, o município não recebeu repasses para obras de drenagem por parte da União nos últimos anos.
O cenário é evidenciado pelo PAC Seleções de 2025. A administração municipal apresentou um projeto de mais de R$ 100 milhões para resolver os problemas crônicos da Avenida da Saúde e do Córrego São Manoel, mas a proposta sequer foi habilitada pela pasta em que Andia é secretário. Outro pedido, de R$ 4,1 milhões para a região do Flamengo (Werner Plaas), também foi rejeitado pelo programa.
Emenda para asfalto, mas zero para drenagem
Embora o secretário tenha se colocado à disposição para auxiliar nos estragos causados pelas chuvas, os registros apontam que sua única contribuição efetiva até o momento foi uma emenda para pavimentação asfáltica, no valor de R$ 2,8 milhões.
Este recurso, contudo, ainda não resultou em obras, pois segue em tramitação interna para que o processo licitatório possa ser aberto. No que diz respeito especificamente à contenção de alagamentos e drenagem urbana — foco das críticas após o temporal —, Americana continua sem receber investimentos diretos viabilizados pela secretaria comandada pelo político barbarense.
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Articulação e Pré-campanha
A postura de Denis Andia nas redes sociais é lida por analistas locais como um movimento de consolidação de sua pré-candidatura à Câmara Federal. Contudo, a falta de resultados práticos em projetos de grande porte, como os do PAC e as divergências entre discurso e realidade podem se tornar um desafio para a sua trajetória política em Americana e Santa Bárbara d’Oeste, cidades onde ele concentra sua base eleitoral.
O Entrenews solicitou um posicionamento do secretário em relação ao não envio de verbas para obras de drenagem e recebeu a seguinte resposta: “Todas as demandas para obras de macrodrenagem são encaminhadas para Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (SNSA) do Ministério da Cidade, responsável pela condução da política para o setor. Elas são analisadas a partir dos critérios técnicos e legais, segundo a legislação e regulamentação do setor, desde o atual Marco Legal de Saneamento Básico (Lei 14.026/2020), a Resoluções da Agência Nacional de Águas e portarias deste Ministério, entre outros, que variam conforme o tipo de recurso buscado”.

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