O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subiu o tom das críticas contra o árbitro brasileiro Raphael Claus nesta segunda-feira (6), classificando o profissional como “muito suspeito” e sugerindo que seu histórico deveria ser analisado. A declaração ocorre em meio a uma crise internacional na Copa do Mundo de 2026, deflagrada após Trump intervir diretamente junto à Fifa para anular a suspensão do atacante norte-americano Folarin Balogun, expulso por Claus na partida contra a Bósnia e Herzegovina, válida pela segunda fase do torneio.
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Em entrevista coletiva realizada no Salão Oval da Casa Branca, Trump questionou a decisão do juiz paulista, natural de Santa Bárbara d’Oeste. “Esse árbitro é um pouco suspeito, se você verificar o passado dele. Não quero dizer isso porque não gosto de criar polêmica, mas ele é muito suspeito. Ele tomou uma decisão que ninguém acreditou”, declarou o presidente, que admitiu ter telefonado ao mandatário da Fifa, Gianni Infantino, para reverter a punição.
Após o apelo direto do governo norte-americano — que, segundo reportagens dos jornais The New York Times e ICL Notícias, envolveu a elaboração de um dossiê contra o brasileiro por parte de assessores da Casa Branca —, o Comitê Disciplinar da Fifa recuou. A entidade converteu a suspensão automática de Balogun em uma pena condicional com período probatório de um ano. Com isso, o principal atacante dos EUA foi liberado para atuar nesta segunda-feira contra a Bélgica, pelas oitavas de final.
A medida inédita provocou forte rejeição na comunidade esportiva europeia. A UEFA emitiu um comunicado oficial rotulando a reversão da punição como “sem precedentes, incompreensível e injustificável”, sob o argumento de que houve interferência política direta na autonomia da arbitragem.
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No Brasil, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Federação Paulista de Futebol (FPF) saíram em defesa imediata do árbitro de 46 anos, integrante do quadro da Fifa desde 2015 e eleito um dos melhores juízes do futebol nacional.
Em nota oficial, a CBF rechaçou categoricamente as insinuações do presidente norte-americano:
“A CBF refuta qualquer insinuação que coloque em dúvida a integridade de Raphael Claus. Trata-se de um profissional exemplar, reconhecido mundialmente como um dos melhores árbitros em atividade, e que possui uma trajetória marcada por excelência técnica, conduta ética e absoluto respeito ao futebol. Não há, em todo o seu histórico, qualquer elemento que o desabone.”
A polêmica teve origem aos 18 minutos do segundo tempo da partida entre Estados Unidos e Bósnia. O atacante Folarin Balogun atingiu com um pisão o zagueiro Tarik Muharemovic. Raphael Claus não assinalou a infração de início, mas, após ser acionado pelo árbitro de vídeo (VAR) e revisar as imagens no monitor à beira do campo, aplicou o cartão vermelho direto. Na mesma entrevista em que criticou Claus, Trump chegou a comentar com jornalistas que, inicialmente, “não fazia ideia do que diabos era um cartão vermelho”.
Foto Divulgação / Casa Branca
Intervenção de Trump na Fifa anula expulsão aplicada por árbitro barbarense na Copa do Mundo
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