MPF pede condenação de 10 réus por fábrica clandestina de fuzis em Santa Bárbara

MPF pede condenação de 10 réus por fábrica clandestina de fuzis em Santa Bárbara

Esquema usava empresa de fachada em Santa Bárbara d’Oeste e bunker em Americana para produzir e armazenar armas

Postado em 02/10/2026 , por Patrícia di Sanctis

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O Ministério Público Federal (MPF) pediu a condenação de 10 dos 11 réus investigados por um esquema de fabricação clandestina e tráfico de fuzis descoberto em Santa Bárbara d’Oeste (SP).

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A organização criminosa mantinha uma fábrica clandestina de fuzis AR-15 em Santa Bárbara d’Oeste e utilizava um imóvel em Americana (SP) como bunker para armazenar armamentos e componentes.

 

Fuzis produzidos em Americana e Santa Bárbara abasteciam facções de SP e RJ

 

Segundo as investigações, o grupo utilizava uma empresa de fachada para produção de peças aeronáuticas como estrutura para fabricar armas. O armamento era destinado a facções criminosas de São Paulo e do Rio de Janeiro.

O caso veio à tona em agosto de 2025, quando a Polícia Federal localizou a fábrica em Santa Bárbara d’Oeste e apreendeu 183 armas em Americana.

As alegações finais do MPF foram assinadas em 28 de setembro pelo procurador Fernando José Aguiar de Oliveira. O documento detalha a participação dos acusados na organização criminosa.

 

Único réu teve absolvição pedida

 

O MPF pediu a absolvição de Wendel dos Santos Bastos, único dos 11 acusados beneficiado pelo pedido. Segundo o Ministério Público Federal, a instrução processual não apresentou provas suficientes de que ele tinha conhecimento da finalidade criminosa do grupo.

A defesa de Wendel afirmou ao g1 que acompanha o processo desde o início e sempre sustentou a inocência do acusado.

O advogado Dinael de Souza Machado Júnior também afirmou que o posicionamento do MPF está de acordo com as provas produzidas no processo.

“Com a conclusão dessa fase, a Defesa apresentará suas alegações finais, reafirmando a confiança no exame técnico e sereno do Poder Judiciário e no consequente desfecho de absolvição integral dos crimes atribuídos, evitando a responsabilização indevida de pessoa desvinculada de qualquer ilícito”, afirmou.

A ação penal de Wendel tramita separadamente na Justiça Federal do Rio de Janeiro.

 

Como funcionava o esquema

 

A investigação aponta que a estrutura criminosa tinha uma empresa de fachada em Santa Bárbara d’Oeste, um bunker em Americana e uma rede logística para transportar armas até comunidades do Rio de Janeiro.

Entre os locais citados estão os Complexos do Alemão e da Maré, apontados como destinos do armamento.

O MPF atribui diferentes funções aos acusados, incluindo liderança, fabricação e montagem das peças, controle financeiro, logística, armazenamento e transporte dos fuzis.

Segundo as investigações, a empresa Kondor Fly Parts, constituída em Santa Bárbara d’Oeste em 2024, era utilizada como fachada para as atividades ilegais.

No endereço da fábrica, foram encontradas máquinas, ferramentas e moldes usados na produção dos armamentos. As peças apreendidas seriam suficientes para fabricar 80 fuzis.

A fabricação utilizava usinagem, processo em que metais são trabalhados até adquirirem o formato necessário para a montagem das armas.

A Polícia Federal também encontrou equipamentos de alta precisão e softwares usados na produção das peças.

 

Três acusados voltaram para a prisão

 

Em setembro, a Justiça Federal acatou recurso do MPF e determinou novamente a prisão de Dinael Enrique Borges, Anderson Custódio Gomes e Lucas Gonçalves Silva.

Os três haviam conseguido liberdade provisória após o encerramento da fase de instrução do processo.

Na decisão, a juíza federal Geraldine Vital apontou informações de inteligência indicativas de possível fuga, indícios de continuidade das atividades criminosas e a produção de fuzis em escala industrial.

Segundo a decisão, os armamentos tinham como destino a criminalidade violenta do Rio de Janeiro.

 

Processo está na fase final

 

Pelo menos oito dos acusados foram ouvidos em audiência de instrução e julgamento realizada em 6 de agosto de 2026.

Entre os interrogados estavam Silas Diniz Carvalho, Marcely Ávila Machado, Walcenir Gomes Ribeiro, Janderson Aparecido Ribeiro de Azevedo, Anderson Custódio Gomes, Wendel dos Santos Bastos, Dinael Enrique Borges e Lucas Gonçalves Silva.

Gabriel Carvalho Belchior e Diego José Santana não foram ouvidos porque não foram localizados.

Após as audiências, o processo entrou na fase de diligências. Em seguida, foram apresentadas as alegações finais, e a próxima etapa será a sentença.

Além dos 11 réus, Luiz Carlos Siqueira tornou-se réu em julho deste ano por suspeita de receber remessas de peças de armas vindas dos Estados Unidos. O processo dele tramita separadamente.

 

Polícia localiza mais um arsenal com fuzis em bunker secreto de Americana

 

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Com informações do G1 | Foto: Divulgação
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